Todos dizem eu te amo

Depois de uma noite de discussão sobre Barthes e seu discurso amoroso, Noemi nos propôs um exercício.
Escrever um diálogo em que um dos personagens diz “Eu te amo”.

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“Ela comeu o 5º chocolate seguido.
D – Não é pedir muito, é?
P – Não. Não é não.
D – (mastigando) Toda minha vida, tudo o que eu pedi, é sinceridade, sabe? Não me importa se a pessoa gosta, ou não gosta. Se me acha feia, chata ou burra. Acho que tá certo. Todo mundo tem direito a ter sua opinião. É legítimo. Mas não vem me falar uma coisa, quando tá pensando em outra. Não vem com um discurso, só para fazer o bacana.
P – Claro!
D – Não suporto mentira.
(Silêncio)
Come mais um chocolate.
P – Te entendo.
D – Mesmo?
P – Eu não seria louco de te mentir agora.
Ela olha fixo para ele, enfim abre um sorriso.
D – De fato. Sinceridade é tudo o que eu peço.
Joga mais um chocolate na boca. P acompanha o movimento.
D – (Parada, com a boca cheia) Você me acha gorda?
(Silêncio)
P – Que é isso?! Eu te amo!!!”

(Por Adriana Rossatti)

“– E agora eu digo ‘eu te amo’?
– Agora você diz o que quiser.
– Acho que agora não é o momento.
– Então quando será?
– Depois do terceiro prato talvez?
– Por favor, antes da sobremesa.
– Para termos um grande desfecho?
– Para eu não precisar ir embora com
a boca amarga quando dizer ‘eu também’.”

(Por Samir Mesquita)

“‘Mas já é tarde.’
‘Nem tanto, tem tempo.’
‘Mas eu te amo.’
‘Nem tanto. Tem tempo.'”

(Por Mônica Carvalho)

“- Você me ama? Diz vai! Diz! Pelo menos uma vez.
– Será que é preciso? Estamos juntos há mais de vinte anos! Nesse tempo todo você não sabe ainda o que eu sinto por você?
– Ah! Para com isso. Só quero escutar. De sua boca. E não vale falar em inglês.
– você não acha ridículo? Pensa em tudo que fizemos juntos, nossa cumplicidade. Será que não consegui demonstrar meus sentimentos por palavras, atos e obras? Nesse tempo todo?
– Mas que custa dizer?
– OK. OK. Rendição! Eu te amo. Esta bom assim? Ficou satisfeita agora?
– Não fiquei e você sabe muito bem que não. Isso é jeito de falar comigo? Se eu não te conhecesse tão bem pensaria até que você não me ama.”

(Por Alcino Bastos)

” – Dois pãezinhos bem branquinhos, Dona Rosa.
–  Obrigada, Seu Almeida, boa memória a sua.
– Dona Rosa, lhe atendo todo dia, a gente guarda.
– Por isso sua padaria é a melhor do bairro, com esse atendimento personalizado, Seu Almeida.
– A gente se sente bem em ver as clientes felizes, Dona Rosa.
– Muito simpático isso, Seu Almeida. Vou indo, estou atrasada.
– Eu te amo, Dona Rosa.”

(Por Eva Maria Lazar)

“- … É que eu te amo.
– Ama?
– Amo.
– Por quê?
– Por que o quê?
– Me ama?
– Eu não sei.
– Então não ama.
– Amo.
– Como?
– Como o quê?
– Como me ama?
– Ah, não sei.
– Então não ama.
– Amo. Assim ó: levando um copo com água gelada todas as noites para o seu criado-mudo.”

(Por Luciana Gerbovic)

“Se
– Não dá. Se você diz hora, ouço cobra, se diz mão, ouço não, diz fé, ouço até…
– Espera, vai.
(…)
-E se digo eu te amo?”

(Por Isabela Noronha)

“- diz
– por que você quer que eu diga? você não sabe?
– diz
– já falei, só digo uma vez por mês
– diz, tô precisando
– mas já combinamos, se falar toda hora gasta, perde o efeito
– diz, por favor
– tá bom, tá bom. olha bem pra mim: você está muito mais magra.
– ai, que bom! eu te amo
– eu também.”

(Por Elza Tamas)

“- Eu te amo.
– Não, eu te amo!
– Não, eu te amo!
– Eu te amo primeiro.
– Não, você falou antes, mas eu senti primeiro!
– Eu te amo desde a primeira vez que eu te vi!
– Eu amo a ideia de você antes mesmo de te conhecer!
– Pois eu te amo antes de existir.
– E eu só existo porque te amo…”

(Por Renato Stetner)
“FRITOS E COZIDOS
– Você não precisava ter falado comigo daquele jeito na frente deles.
– E você não precisava ter ofendido o dono da casa.
– Eu não ofendi ninguém.
– Claro que não. Todo mundo adora ser chamado de coxinha.
– Mas ele é coxinha.
– E precisava dizer?
– E você não precisava ter praticamente me mandado calar a boca. Com a Luísa ali do lado?!
– E quem se importa com a Luísa. Quem você ofendeu foi o Arnaldo.
– Mas o Arnaldo não é seu ex. Ela ainda fez aquela cara de “se ferrou”. E você acha que alguém gosta de ver a ex do marido fazer cara de “se ferrou”?
– Ai, tá bom, vá. Você me desculpa pela exposição Luísa, eu te desculpo pela coxinha. Pode ser? E a gente pede a comida? A gente sempre encrenca, mas você sabe que eu te amo.
– Pode ser. Mas estou começando a achar que você também é um pouco coxinha.”

(Por Elídia Novaes)
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