Noemi nos pediu para criar metáforas inesperadas. Cada um de nós colocou em um papel uma palavra. Elas foram sorteadas e cada um recebeu dois papéis. Foi a partir desse encontro de palavras que as metáforas foram criadas.

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Palavras: vaso e língua.
Ela está sempre com a língua no vaso = Ela só fala merda.

(Lídia Izecson)

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Palavras: cabide e palito de dente.
Magra (ou frágil etc.) como um cabide (feito) de palitos de dente.
Fazia cabides para palitos de dente = fazia inutilidades.

(Alcino Bastos)

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Palavras: vento e guarda-chuva.
Vento guarda-chuva: Aquele vento forte que vai e volta.

(Eva Maria Lazar)

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Palavras: lagartixa e espelho.

Lagartixa de espelho: pessoa que não consegue parar de se olhar, tem fissura pelo espelho, é apaixonada pelo próprio reflexo.

(Isabela Noronha)

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Palavras: lugarejo e intriga.
Intriga de Lugarejo: fofocas localizadas, pequenas.
Lugarejo de Intriga: lugares ordinários, onde brigas acontecem.
(Rachel Poli)

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Palavras: lesma e folha(s).
Folha de lesma: aquela escorregadia, não permite avanços.
Lesma de folha: o que vai engolindo tudo, leitor, escritor, devoradora de palavras e ideias.

(Elza Tamas)

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Palavras: polpa e cômoda.
Polpa da cômoda é uma expressão de origem incerta. Alguns dizem que vem da França de Luiz XV, que vivia às turras com sua consorte (?!), Maria Leszczyñska. Ora, em uma das muitas anunciadas separações do casal imperial, a imprensa marrom noticiou em primeira página: “15 e sua nr.1 prestes a separar até a polpa da cômoda.” Aparentemente, ela intuiu que a expressão nr.1 fazia referência a Madame du Barry, então amante do esposo – a nr.2. Amigos do casal afirmam que foi tanto fuzuê que Maria botou fogo na tal cômoda… até a polpa.

Mas a expressão atravessou o Atlântico e, de nó náutico em nó náutico, assumiu sentido inverso. Funcionários da mansão Aniston-Pitt são unânimes em dizer que a seguinte frase constava dos votos trocados na cerimônia de casamento. “Estamos determinados a compartilhar nossas vidas pela eternidade. Da cômoda, até a polpa.”

Outra vertente dá conta de que, ao criar sua célebre Poltrona Mole, Sérgio Rodrigues teria se sentado durante a semana do design de Milão e afirmado perante membros da imprensa, fotógrafos, outros designers e o público em geral enquanto dava tapinhas de leve em sua própria nádega: “é cômoda até a polpa”.

(Elidia Novaes)

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Palavras: guarda-chuva e calo.

Guarda-chuva de calo: uma mágoa muito profunda.

(Carla Kinzo)

 

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