Noemi propôs a escrita de um texto interrompido por um personagem inesperado.

Era uma vez um bezerro que saltava de galho em galho e fazia cestos de vime. Quem disse isso? Quem disse isso? Ah, não, você de novo não. E pare de repetir o que eu digo. Pare de repetir. Já disse que não é para você aparecer justo quando estou escrevendo. Não aqui, não na frente de meus colegas e da Noemi. Você me pediu um livro de suruba para colorir; te dei. Te dei 24 cores de lápis, deixei você pintando e… Acabou? Acabou de que? Vai colorir seu livrinho e me deixa fazer o texto que tenho só cinco minutos. Não, VOCÊ me deixa escrever o texto. Se manda. Colorir é algo que eu posso fazer na nossa casa. Casa? Você não mora na minha casa. Sei lá onde você mora. Mas não é lá. E dá o fora do meu caderno. Retomando: era uma vez uma coalhada que sabia o nome de todos os coleópteros da Estação da Luz. Pare, já disse. Você… você… Qual é seu nome mesmo? Barbapapa. Barbapapa é rosa, é cor de rosa / É mais rosado que uma rosa / Barbamama é igual carvão. O seu nome. Fala sério. Garibaldo. Eu sou o Garibaldo! Idiota. Não, Luke Skywalker.. Pensando bem, Rhett, Rhett Butler… Já sei! ET-phone-home, iiiiiii tiiiiii… Agora vou te falar a verdade, de verdade mesmo. Eu sou a Tia Mercedes. Ah, eu desisto!
{Elidia Novaes}

*

Ela decidiu que esse dia não existiria. No caminho para o escritório, sai. O quê? Você não é uma mosca para eu te enxotar assim? Mas parece, saia. No caminho para o escritório… sendo mosca ou não, suma! No caminho para o escritório desviou, arre! O quê? Nino? Seu nome é Nino? Essa cara de mosca e esse nome tão, tão…fofo? Mesmo com esse nome fofo, saia daqui, vaze; já ouviu falar em vazar, chispar? Não? primeira vez que vem para a Terra? O quê? Viagem de despedida? Despedida do quê? Ah, o que me interessa, Nino… No caminho para o escritório desviou para o mar. Despedida da vida? Vocês viajam para se despedir da vida? Desse tamanhinho e já indo embora de vez? Ah, você é velho, é? O equivalente a cento e cinquenta e três anos terráqueos? Mas o que é você, uma espécie de Benjamin Button? Não o conhece? Ah, agora não dá, Nino, minha personagem precisa desviar para o mar no dia que ela decidiu que não existiria.
{Luciana Gerbovic}

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*

É no segundo anterior à formulação da sentença que dará sentido à história, naquele instante em que todas as ideias se precipitam, mas que nada ainda é nomeado; é quando a porta atrás da qual se esconde o assassino está prestes a ser aberta ou que os olhos do narrador descobrem a carta sobre a… sobre a… CALHA? Calha? Que calha? TRALHA? Não, não é isso, fique… MALHA? Quieto! Fique quieto! O que eu dizia? Ah, sim. É quando a… NAVALHA? Não! Eu dizia que quando você vem, falso poeta, suas rimas idiotas não me deixam seguir com minhas histórias!
{Carla Kinzo}

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