No encontro do dia 6 de abril Noemi nos propôs um exercício para fazer em aula.
Descreve um grupo de pessoas através das características de comportamento.

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“Entraram na varanda envidraçada como um bando de dinossauros. Velociraptores, com presas agudas e unhas compridas. Ocuparam o longe se esparramando pelos sofás em ordem alfabética, como se a hierarquia e os lugares a se ocupar estivessem impressos em seus códigos genéticos. Não que fizesse alguma diferença para quem visse de fora. Uma excelente amostra do processo de clonagem social. Cabelos escorridos pelas costas, com mechas louras que imitavam uma longa temporada na praia, mas sem os danos do Sol e do mar. Esbeltas, soutiens de bojo B. Não maiores, para não ser vulgar. Alongavam pernas douradas sobre saltos finos de solas vermelhas, embaixo de saias e shorts folgados. As mãos, manicuradas sem a ponta francesa – que ficou brega no verão de 2006 – , seguravam flutes de mimosas e canudos de caipirinhas de frutas vermelhas, enquanto os olhos passava além de qualquer interlocutor. Mas não se engane. Mesmo sem notá-lo, seriam capazes de rasgar seu ventre e comer suas vísceras enquanto seu coração ainda bate.”

Adriana Rossatti

Pompa

“Elas entram uma a uma com pompa precisamente às 17 horas. Nenhuma resiste a dar uma olhadinha sutil no cabelo pelo espelho pesado com moldura de cobre. As bolsas, com seus sobrenomes famosos, são colocadas com displicência planejada sobre cadeiras perto das donas, como poodles amestradas. Sem celulares à vista, vulgaridade imperdoável; se necessário, o motorista se aproxima silenciosamente e faz um gesto. Os perfumes se amalgamam enquanto o chá começa a ser servido por garçons pisando o ar em suas luvas brancas em mais uma tarde na  Confeitaria Colombo.”

Eva Maria Lazar

Bar “Ases do Volante”

“Toda sexta feira estão lá bebendo cerveja no bar ‘Ases do Volante’. Um balcão sujo e três mesas brancas, quadradas, de material plástico, bem leve. As garrafas de cerveja vão se empilhando como se fossem troféus. São os prêmios que ganham por mais uma semana de vida. Vez por outra alguém se levanta para mijar e esbarra na mesa. As garrafas caem e esse é o divertimento da noite. Falam mal dos amigos que foram tentar a sorte na cidade grande – tomara que se fodam. Depois, bem mais tarde, voltam para suas casas. Quem não tiver o diploma de bêbado é veado.”

Alcino Bastos

“Passaram voando, ou quase. E começaram a se agrupar no Graal da Airton Sena.
Os motores ainda roncavam e eles já desciam de suas máquinas, tiravam os capacetes e estufavam as jaquetas de couro elogiando performances.
Números em quilômetros: cheguei a 180. E eu encostei nos 200. Pois passei bem disso.
As cabeças inoculadas pela gasolina elaboravam vastas reflexões sobre o pão de queijo local.
Na traseira das motos, os adesivos: “Pela redução da maioridade penal”.”

Lidia Izecson

“E de repente, mais um se rende ao whey protein, à creatina e, em  seguida, à finasterida.
Começam a dominar a anatomia do corpo em busca de uma hipertrofia  muscular e, sem se dar conta em muitos casos, cerebral também.
Passam a contar o tempo em séries e repetições de leg press, supinos,  crucifixos invertidos e agachamentos.
Se ao menos tirassem os onipresentes fones dos ouvidos, talvez se  envergonhariam dos gemidos que proferem sempre que os halteres ganham  novas anilhas.”

Samir Mesquita

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