Retornamos nossos encontros em 2015 com novos integrantes e uma proposta diferente para desenvolver no semestre. Para não perdermos o hábito, Noemi nos propôs um exercício relâmpago ao final desse primeiro encontro. Escrever um parágrafo em primeira pessoa sobre uma personagem que joga a própria mãe escada abaixo. museu-vaticano-giuseppe-momo (1) “Quando pisquei, foi. As costas dela se desprendendo das minhas mãos. O olhar assustado, de quem ainda não compreende para onde ia. O chão sumindo, o teto entortando, e o barulho abafado da sua massa de pele, ossos, músculo e gordura atingindo o mármore da escada. Houve um gemido. Um ‘urhg’ abafado. Depois os cabelos taparam-lhe os olhos, o rosto, e deixou de ficar interessante. Não fiz de propósito. Fiz porque precisava fazer. Havia seu corpo em minha frente e uma imensidão de vazio atrás que eu precisava preencher. Precisava saber se ela era real. Se ela voava. Se ela endireitaria o pescoço torto no andar de baixo e levantaria da poça viscosa.” Adriana Rossatti NO TOPO DA ESCADA

“Não foi por causa de ontem
Nem por causa da sopa O cabelo estava em revoada, as mãos tremiam

Sim mamãe, sim mamãe, sim mamãe
Não mais mamãe, nunca mais mamãe, nunca mais.”
Lidia Izecson

“O que eu fiz? Não queria; pelo menos acho que não queria. Quem mandou beber? E agora, desço para ver, chamo a polícia ou fujo? Que medo. Vou espiar, aí saio pela porta sem barulho, finjo que estou chegando e grito. Ainda bem que não tem ninguém em casa. Ela está se mexendo, e agora? Mãe… MÃE!!! Parou de mexer. Cadê minha bolsa, o carro ainda está quente, entro e saio dele batendo a porta, e grito. Ah, e choro.” Eva Maria Lazar “Claro que ela merecia um descanso. Dos meus irmãos e do pai. Já era meu costume escutar o choro. Encostado na porta do banheiro. Toda noite era assim. Naquele dia, quando ela subia a escada com a pilha de roupa lavada, bastou só um encostão. Lá em baixo a cabeça soltava um sangue escuro por trás. Mas, naquele rosto enrugado, eu só via um sorriso feliz; e os olhos, bem abertos, pareciam me agradecer”. Alcino Bastos

“O primeiro degrau é por ela ter existido; ela esfolar as nádegas no segundo degrau a baixo é por ela ter trepado com meu pai; os hematomas que surgirão no ventre é por ela ter me parid; cada um dos outros degraus são por todas as palavras de amor dita aos outros.”
Dominique Girard

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