Nosso exercício no encontro do dia 15 de setembro segue nossa pesquisa da nuance no texto. A proposta foi, baseados na entrevista de Philip Roth que estudamos, escrever um parágrafo com um personagem que finge ser você.

um-estranho-no-ninho-de-pinguins

” Péra. Dejá vu. Eu estava subindo por aquela escada, eu lembro do formato dos ladrilhos, quintal de caco, todo craquelado. Já não se faz mais. Igualzinho a casa em que minha vó morava. Tinha uma escada enorme, uma escadona. E, bem, eu lembro do ladrlho e de olhar para você. A gente queria ir até o pessegueiro ensacar os pessegos com sacos de papel, enfiar tatu bola no nariz, e subir os blocos de cimento no muro do fundo para ver as crianças da escola estadual quando dava o sinal para o recreio. Péra. E você vinha para mim e dizia isso aí.
Pára. Essa é a história que te contei ontem. É minha.
Falei. Dejá vu.”
(Adriana Rossatti)

“As solas lisas dos sapatos me denunciarão. Preciso esfregá-las na calçada antes de me apresentar como ela. Mania de pobre andar tanto a pé, sempre com as solas desgastadas. E o cabelo que precisa ficar preso? Ela não consegue fazer nada com ele solto? Escrever, falar, comer, pensar? Pobre e burra, disfarçada de chique só por causa de um sobrenome difícil de pronunciar. Mas eu sei bem de onde ele vem. ”
(Luciana Gerbovic)

“O Senhor Augusto Malaest forjou uma crise de identidade: não sabe se ainda quer ser advogado, ou se prefere a fotografia, ou ainda se opta só pela literatura. Foi se aconselhar com a professora Noemi Jaffe, fazendo-se passar por um de seus alunos. Noemi, que não é nada boba, logo percebeu a farsa, mas fingiu entrar no jogo. Você deve escrever, se for um bom fingidor. Mas, se for desmascarado, é melhor procurar um bom advogado.”
(Eduardo Muylaert)

“Ela me irritou naquele dia. Falava muito, não dava vez. Levantei, fui até o grupo e comecei a discursar sobre cachorros, de como são tudo de bom, quase mais inteligentes do que gente. Não como judeus, claro, esse é outro tipo de gente. Cruzei as pernas do mesmo jeito, coloquei os óculos para cima da cabeça, olhei para o celular, até que ela fixou os olhos em mim, me observando séria.”
(Eva Maria Lazar)

“Ela pôs o avental como se fosse ela. Quando foi  tirar o “paellon” do armário, qual não foi a sua surpresa: tinham três! Um de 40 cm, outro de 50 e outro de 60 cm. A duvida era qual ela (a outra) escolheria? Ela escolheu o médio. Na feira ela comprou a lula, o marisco, as favas, o lombo e o frango. Ela nem pensou no açafrão.”
(Dominique Girard)

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