Mais um exercício de nuances no texto.

O desafio é descrever os objetos sobre uma mesa de trabalho qualquer, imaginada. Através desses objetos o texto deve transmitir o estado de espírito do personagem, que não está bem.

messydesk

“A escrivaninha ficava no cubículo perto dos elevadores, onde não batia Sol o dia inteiro. Central, ocupando toda a visão de quem se sentava na cadeira, ficava o monitor antigo, daqueles grandalhões, de tubo e carcaça bege. Os teclados também, eram largos e quadrados. As letras A e R estavam gastas. Ela escreveu por cima com caneta de retroprojetor, deixando o teclado remendado, gritando AR para quem visse de longe. A tecla de SPACE travava. À direita de quem olha para a mesa, um gaveteiro acumulava papéis. A gaveta do meio tinha meio sanduiche mofando, e a mais baixa inúmeros papéis de bala de canela. À frente, colocado na divisória de fórmica que a separava de Tom, um recorte da revista Boa Forma, uma imagem de pôr do Sol com uma frase de Paulo Coelho e a fotografia da família desbotada, com calças de helanca. Eram gêmeas.”
(Adriana Rossatti)

“Uma caneta tinteiro sem a tampa, deitada na folha de papel. Na folha, rabiscos em forma de quadrados e triângulos cobrindo uma coluna no lado esquerdo, simetricamente. Algumas partes estão borradas pela tinta, preta. Um calendário de mesa, daqueles com um impresso para cada mês, apoiado na base de acrílico; mostrava o mês terminado há 43 dias. Nesse mês os dias estavam riscados, menos os últimos 5. Mais nada sobre a mesa, ninguém presente.”
(Eva Maria Lazar)

“Abro a porta do quarto dele e vejo em cima da mesa: um copo que servia de cinzeiro com bitucas até a boca; cinzas de cigarro espalhadas no tampo e em cima dos fleyrs de balada; sobre os monitores de som o abajur, em forma de espremedor de frutas, aceso; um prato com restos de arroz, um osso de frango; dois livros fechados de Manga; em baixo do prato dois pacotes de papel de seda para enrolar cigarro, um cartão de crédito já meio amassado ao lado do saquinho de fumo.”
(Dominique Girard)

“A mesa ficava em uma sala minúscula, anexa ao laboratório. Nela, livros se amontoavam. Eles a cobriam completamente, mas os que estavam no meio se empilhavam abertos. Eram 6. Não, eram 8. Eram muitos. Ao deles, havia inúmeros papéis A4 preenchidos com frases que terminavam abruptamente, às vezes, no meio de uma palavra. Em cima de tudo, outros tipos de papel: guardanapos sujos de gordura e de molho de lanchonete, copos de refrigerantes e sacos amassados. Todos vazios.”
(Isabela Noronha)

“A mesa era de mármore de Carrara. Em cima dela um laptop moderníssimo, canetas enfileiradas da menor para a maior, o cinzeiro de prata com 15 bitucas de cigarro, um porta retratos vazio e pedaços de foto espalhados pelo carpete verde”
(Lidia Izecson)

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